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Bem-vindo/a ao DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL publicação periódica independente com 13 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça
«Chamaram-lhe a reforma do século. E pode vir a ser mas pelas piores razões. Quase um mês depois da entrada em vigor do novo mapa judiciário, o sistema está paralisado
Bolinhas a sortear processos, notificações criadas uma a uma e milhares de ações judiciais por distribuir. Com a paralisação do sistema informático Citius, que devia ter permitido a maior reforma judicial alguma vez feita em Portugal, a justiça ficou – ainda – mais lenta. E, em vez de modernizada, antiquada. Sobram os velhos métodos: papel e mais papel.
«Estamos a trabalhar como há 20 anos, mas com muito menos pessoas e mais pendências. Com uma agravante: os processos não foram redistribuídos», resume o secretário-geral do Sindicato dos Funcionários Judiciais, António Marçal.
O novo mapa judiciário organizou o País em 23 Comarcas, a que correspondem 23 grandes Tribunais Judiciais, com sede em cada uma das capitais de distrito, e fez desaparecer as que existiam antes. Esta alteração profunda na forma de organizar a justiça significa que não é possível voltar ao sistema antigo (Citius 2).
E como o novo (Citius 3) continua inoperante, a pouca justiça que está a conseguir fazer-se «acontece consoante a urgência, com o juiz que está mais à mão, e não pode ser assim», denuncia o dirigente daquele sindicato.
Passadas quase quatro semanas desde a entrada em vigor da reforma judicial, a 1 de setembro, continua por resolver ou esclarecer o que impede a distribuição de processos. «Isto não foi um acidente. Foi pura incompetência. Quiseram fazer tudo de uma vez e o Citius não foi desenhado para esta arquitetura», critica António Marçal, perplexo com a informação que foi sendo passada. «Quando, em junho, diziam que estavam distribuídos os processos, era mentira».
Contradições entre dito e feito também apontadas por José Mouraz Lopes, presidente da Associação Sindical de Juízes: «Como foi possível dizer publicamente, no final de agosto, que tinham migrado 97% dos processos? A migração não aconteceu. E há uma total falta de transparência. Dizem-nos que os documentos estão lá, mas ninguém sabe ao certo.
Para Mouraz Lopes, «a crise é grave» e o pior é que «ninguém o reconhece». Embora a ministra da Justiça tenha dito no dia 17 de setembro que a teoria do caos vinha dos que «estão contra a reforma», a verdade é que um mês de paralisação do sistema levou até os apoiantes a porem tudo em causa. «Nunca fomos contra a reforma, apesar de defendermos que só devia entrar em vigor em 2015. Há um ano e meio a equipa informática foi dispensada, mas garantiram-nos que estava tudo a funcionar, tudo testado. Não podem ter feito testes.
Se, numa primeira fase, poucos se surpreenderam que surgissem problemas dada a complexidade e curto prazo da reforma, com o arrastar da crise – e das incógnitas – há cada vez mais alarme entre os intervenientes da Justiça. «Não há informação pública sobre o que se está a passar. Quando haverá soluções? Que soluções? Só quatro semanas depois foi marcada uma reunião extraordinária do Conselho Superior da Magistratura para enfrentar uma crise como nunca houve. Criticamos o Ministério da Justiça e a Procuradoria-geral da República porque ninguém está a exigir medidas», diz o representante dos juízes.
Embora mais moderada, em comunicado, a direção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público também considera «indiscutível que a 1 de setembro não estavam reunidas as condições legais e práticas para a implementação da reforma». Apesar de acreditar que «vai havendo pequenas melhorias», o presidente, Rui Cardoso, admitiu à “Visão” que com o alastrar da crise, «as coisas vão piorando porque se acumula trabalho».
Nas salas dos tribunais sente-se isso mesmo. «O grosso dos processos está paralisado. É impossível tramitar eletronicamente e manualmente é quase impossível. Continuamos sem saber quem são os juízes responsáveis pelos processos que têm de ser redistribuídos», resume o juiz presidente da comarca de Braga, a quarta maior do País, Artur Oliveira.
Nada disto significa tribunais sem trabalho. Pelo contrário. Os casos urgentes e as secções criminais continuam a funcionar. Mas à maneira antiga. «Desconhece-se o impacto disto no sistema. Nunca se pensou que houvesse tantos constrangimentos», reconhece Artur Oliveira. Aconteça o que acontecer, nota Mouraz Lopes, será difícil apagar as marcas do erro informático. «Esta entropia obsta a todas as virtualidades da reforma. Resultados positivos só daqui a um ano ou dois; com otimismo».
Confrontado com a crise instalada, o gabinete da Ministra da Justiça garantiu à “Visão” que «a curto prazo terá início a reposição da normalidade» e explicou que «devido a uma falha na arquitetura do processo de migração nem toda a informação foi migrada». Por isso, «determinou a suspensão dessa migração». Uma das principais falhas apontadas à reforma é agora admitida também pelo Ministério: «A migração simultânea de todas as comarcas». Além disso, «só foi possível testar por amostragem, o que potenciou o problema».
No final de junho, Paula Teixeira da Cruz garantiu que estavam já a ser feitos os «testes finais» ao sistema e que a passagem seria «tranquila». Duas semanas depois de a reforma entrar em vigor pediu desculpa pelos «transtornos» causados, mas negou o «caos» nos tribunais. Esta terça-feira, 23 de setembro, admitiu aos deputados na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias que tinha havido um «percalço». Mais do que o problema criado pelo sistema informático que paralisou o sistema, muitos apontam o dedo à má gestão da crise. E geri-la torna-se mais difícil a cada dia que passa.
Sendo uma das maiores apostas do Governo de Passos Coelho, o fracasso da reforma judicial no terreno e a falta de soluções à vista, levam muitos a pôr um prazo de validade na ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. Sobretudo se se mantiver a estratégia de avestruz.
A “Visão” questionou o Ministério da Justiça sobre a situação, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.»
[Reprodução do artigo de Isabel Nerv na Visão, em 26-09-2014]
.................................................. INICIATIVAS COMPLEMENTARES:
Para voltarmos à greve aos actos...... precisavamo...
Sim, é isso mesmo!A greve às diligências tudo reso...
Isso que diz não certo.Ouve um acordo nos termos j...
trabalhem com calma, eles só se interessam por núm...
Por isso aguardo pelas 17h todos os dias e pelo di...
Esquece isso. Perdemos tudo. O governo agora tem a...
Coitaditos dos tótós, ou otários, dos OJ!Foi o que...
É urgente voltar às greves. Greves aos atos. Greve...
Greves?SFJ desativou greves e vez de suspender, po...
Os escravos gostam.Até há quem vá para o tribunal ...
Não diria melhor e como um desses roubados de 2001...
Então o dito costa não deixou tudo bem antes de se...
Baixa contra o roubo!!!
certeiro
venha o 21
Olá a todos.Quero lá saber do loby das empresas de...
É preciso regressar às greves!Estamos a perder mui...
Bom dia,Li a mensagem do SFJ sobre os desenvolvime...
Fotografem, exponham tudo. Começa em nós expor o q...
Foi escolhido pelos seus colegas da comarca onde e...
trabalhar com calma..em caso de aperto, baixa...e ...
daqui por uns tempos um cai e logo o setor privado...
Excelente artigo.Mas colega isto vai continuar tud...
São os tribunais, são os hospitais, são as escolas...
Paguem o que devem aos Oficiais de Justiça, nas su...