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Bem-vindo/a ao DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL publicação periódica independente com 13 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça
A expressão “vicissitudes” conhecem-na muito bem os Oficiais de Justiça do tempo em que era ministra da Justiça Francisca van Dunem, que a usou para explicar por que razão o novo Estatuto não avançava, justificando-se com a existência de “vicissitudes”, disse, ao mesmo tempo que prometia a sua revisão no curto prazo, o que nunca cumpriu, nem no curto nem no longo prazo.
Hoje vamos reproduzir um artigo de opinião publicado no Expresso, de alguém que todos os portugueses bem conhecem, e que intitulou o seu artigo precisamente com a mesma expressão referida, porque também a viu escrita numa decisão judicial para justificar um problema havido e que diz respeito ao seu processo pendente nos tribunais.
As vicissitudes não podem ter as costas largas e arcarem com a responsabilidade, ou a irresponsabilidade, das pessoas. Por isso, hoje vamos reproduzir este artigo de opinião, porque, independentemente de ser da autoria de pessoa bastante polémica na sociedade portuguesa, a verdade é que ele próprio constitui um bom mau exemplo de um tipo de atuação da justiça que não é admissível, não apenas para o visado, mas para nenhum cidadão, desde logo pelos tantos anos sem que a justiça se concretize e, claro, sem justificações relativas a vicissitudes.
Vai a seguir reproduzido o artigo de opinião de José Sócrates no Expresso.
«Diz o acórdão do Supremo: “objetivamente, não se vê em que é que a confiança na imparcialidade da justiça sai abalada por uma alegada falha ou vicissitude na distribuição processual”.
Bom, salvo melhor opinião, a razão é fácil de ver – para quem quer ver e para quem tem o coração limpo. Em primeiro lugar, a “falha” ou “vicissitude” na distribuição, como agora, de forma tão cómica, lhe chamam, não é nem falha nem vicissitude – é manipulação. É uma fraude à lei. Em segundo lugar, a alegada “vicissitude” coloca em causa a imparcialidade da justiça na medida em que põe em causa o princípio do juiz natural. Esta é a razão objetiva que levanta a suspeição sobre a imparcialidade do juiz – se o juiz não foi sorteado, não é o juiz natural. E não há motivo mais grave e sério do que este para requerer a sua recusa. Pronto, o caso é este. Não posso ser mais claro.
Por outro lado, gostaria de dizer que não me parece sensato que o tribunal tente remeter a questão da distribuição ilegal para os assuntos de intendência judicial. Esse caminho é irresponsável e não terá sucesso. A forma como se escolhe os juízes é uma questão séria em todo o mundo, não é uma questão de secretaria. Só as ditaduras escolhem juízes para casos concretos, não as democracias. Nas democracias os juízes são escolhidos em função das normas legais previamente existentes e aqui, em Portugal, a regra é a do sorteio, que é, aliás, a regra mais democrática de todas – terás o juiz que te calhar em sorte. Esta é a garantia constitucional que o Estado concede a todos os cidadãos e, por essa razão, não consigo perceber porque é que os tribunais superiores se recusam a cumprir uma lei que foi aprovada pela Assembleia da República há quase um ano e que entrou em vigor em outubro do ano passado. Os tribunais não fazem as suas próprias leis – os tribunais devem obediência às leis.
No entanto, desta vez o acórdão também é importante, não pelo que diz, mas pelo que não diz. Desta vez, o acórdão não diz que a nova lei não está em vigor. E não diz porque o tribunal já não está seguro disso. Porque a norma da nova lei é clara e é também exequível – “a distribuição é feita para apurar aleatoriamente o juiz relator e os juízes adjuntos de entre todos os juízes da secção competente”. Não há aqui nada para regulamentar. As palavras estão todas na lei, resta cumpri-la.
Não, não se trata de nenhuma “vicissitude” como, ingenuamente, nos pretendem convencer. Trata-se, isso sim, de uma flagrante violação da lei que impõe o critério do sorteio e proíbe qualquer outro. Diz a lei, expressamente:” sem aplicação do critério da antiguidade ou qualquer outro”. Nada nesta norma exige especial exegese ou hermenêutica jurídica. O que se exige é que se cumpra. O que se exige é que os tribunais parem de usar critérios administrativos na designação de juízes para os processos. O que se exige é que sorteiem todos os juízes, nada mais. E, já agora, o que há de tão complexo e perturbador no sorteio de todos os juízes? Que eu saiba é só carregar numas teclas de computador e o programa escolhe aleatoriamente. Não, não se percebe a resistência.
Finalmente, quanto a bloqueios ao sistema, o único bloqueio que aqui vejo é não cumprir a lei em vigor. Isso sim, bloqueia o andamento processual. E o tribunal tem uma forma simples de o desbloquear – é só sortear todos os juízes. E deixar de fazer lamentáveis imputações de intenção quando os cidadãos se limitam a exercer os seus direitos constitucionais, nomeadamente aquele que se refere a ver cumpridas as leis aprovadas na Assembleia da República. Em particular quando sabem, e sabem muito bem, que a última vez que a lei da distribuição foi violada isso significou oito anos de violência, oito anos de difamação, oito anos de abusos. Já aconteceu uma vez, não acontecerá outra. Não mais.»

Fonte: “Expresso”.
.................................................. INICIATIVAS COMPLEMENTARES:
Para voltarmos à greve aos actos...... precisavamo...
Sim, é isso mesmo!A greve às diligências tudo reso...
Isso que diz não certo.Ouve um acordo nos termos j...
trabalhem com calma, eles só se interessam por núm...
Por isso aguardo pelas 17h todos os dias e pelo di...
Esquece isso. Perdemos tudo. O governo agora tem a...
Coitaditos dos tótós, ou otários, dos OJ!Foi o que...
É urgente voltar às greves. Greves aos atos. Greve...
Greves?SFJ desativou greves e vez de suspender, po...
Os escravos gostam.Até há quem vá para o tribunal ...
Não diria melhor e como um desses roubados de 2001...
Então o dito costa não deixou tudo bem antes de se...
Baixa contra o roubo!!!
certeiro
venha o 21
Olá a todos.Quero lá saber do loby das empresas de...
É preciso regressar às greves!Estamos a perder mui...
Bom dia,Li a mensagem do SFJ sobre os desenvolvime...
Fotografem, exponham tudo. Começa em nós expor o q...
Foi escolhido pelos seus colegas da comarca onde e...
trabalhar com calma..em caso de aperto, baixa...e ...
daqui por uns tempos um cai e logo o setor privado...
Excelente artigo.Mas colega isto vai continuar tud...
São os tribunais, são os hospitais, são as escolas...
Paguem o que devem aos Oficiais de Justiça, nas su...