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Bem-vindo/a ao DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL publicação periódica independente com 13 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça
A Comissão Europeia, presidida por Úrsula von der Leyen, elaborou um relatório sobre o Estado de Direito nos países da União Europeia, onde, na parte que diz respeito a Portugal, diz que se fizeram “alguns progressos” na adequação dos recursos humanos ao sistema judicial, mas que ainda não é suficiente.
Assim, a Comissão Europeia recomenda que Portugal tenha mais Oficiais de Justiça a trabalhar nos tribunais, garanta mais eficiência nos Tribunais Administrativos e Fiscais e melhore as leis penais para os megaprocessos serem mais eficientes.
Este relatório, que é o quinto da Comissão Europeia dedicado ao tema do Estado de Direito nos países da União Europeia, foi divulgado ontem, quarta-feira, 24JUL, e analisa o ano de 2023, quando o Governo de António Costa ainda exercia funções.
Ora, quando se diz que houve “alguns progressos” na adequação dos recursos humanos ao sistema judicial, mas que ainda não é suficiente, diríamos antes que não houve progressos nenhuns, mas apenas algumas medidas avulsas, mínimas e insignificantes, perante a enormidade do défice de Oficiais de Justiça, e ainda que a maior parte delas não passaram de meras manifestações de intenções e não de progressos verdadeiramente palpáveis, implantados.
O Ministério da Justiça considerou que o diagnóstico feito pela Comissão Europeia sobre o sistema de justiça português “coincide com o diagnóstico feito pelo Governo nestes primeiros três meses em funções”.
Fonte oficial do Ministério da Justiça referiu à agência Lusa que o programa do Governo apresenta respostas que são entendidas como “eficazes para os problemas identificados” e que o ministério dirigido por Rita Alarcão Júdice “está, desde o primeiro dia, a trabalhar na sua resolução”.
O Ministério da Justiça aponta, a título de exemplo, “os acordos já materializados para a valorização das carreiras dos Oficiais de Justiça e dos guardas prisionais”, entre outros aspetos relacionados com assuntos diversos, como a Agenda Anticorrupção, ferramentas de tecnologias de comunicação e de informação, “o processo legislativo em curso para que as citações e as notificações de pessoas coletivas e a tramitação da fase de inquérito passem, por regra, a ser feitas por via eletrónica”, o concurso público para a obra do novo Palácio de Justiça de Portalegre (lançado em maio) ou o concurso já aberto para o novo Estabelecimento Prisional de S. Miguel, nos Açores, com propostas já recebidas em junho, e “Além disso estão a ser feitos diversos levantamentos das necessidades de edificado para que se possa, com eficiência e racionalidade, lançar uma série de investimentos na Justiça”, concluiu o Ministério da Justiça.
Mais uma vez o Ministério da Justiça considera que o acordo com os Oficiais de Justiça resolveu tanto quanto o acordo com os Guardas Prisionais e que tais acordos são equivalentes, isto é, que estão no mesmo patamar de satisfação dos respetivos trabalhadores.
Os Guardas Prisionais, neste momento, só deixam de levar a tribunal os presos e detidos quando as carrinhas dão o berro, porque já não fazem greves. O mesmo não se verifica com os Oficiais de Justiça, depois do acordo as greves continuam e um dos sindicatos até decretou mais uma, pelo que se está a comparar o incomparável e a ludibriar a opinião pública.
No que diz respeito ao reforço de Oficiais de Justiça, todos sabem bem que as Finanças deram autorização para o preenchimento de 108 lugares e até na Comissão Europeia sabem, que esse número deveria ter, pelo menos, mais um zero no final.
Como todos bem sabem, dessa centena de lugares apenas se conseguiu o incrível número de 5 candidatos, portanto, apenas deverão ser preenchidos 5 lugares, e dizemos deverão porque, como vem sendo costume, há desistências, logo no início, no primeiro dia ou durante os primeiros meses, quando os Oficiais de Justiça se apercebem de que o vencimento é tão baixo que não dá para as despesas das suas longínquas colocações.
Também todos sabem que perante o fiasco dos 5 candidatos, o Ministério da Justiça apressou-se a inventar a desculpa de que o concurso era do ano passado e que vai já lançar um novo, como se isso fizesse aparecer, tal varinha de condão, novos interessados, seja uma centena, seja um milhar.
Os candidatos só surgirão quando a carreira for atrativa e essa atratividade não se compadece com um aumento de 3,5% sobre um suplemento de 10% sobre o vencimento, conforme acordado, isto é, para o ingressante corresponderá a um aumento de vinte e tal euros brutos, sujeito a descontos, pelo que, mantendo-se estas circunstâncias, não vale a pena abrir concursos para ingresso, porque o acordo não é, nem sequer se aproxima, àquele que o Ministério da Justiça também invoca: o do Corpo da Guarda Prisional; longe disso.
Perante o relatório da Comissão que Úrsula von der Leyen preside, também o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) veio a público manifestar a sua postura e disse assim:
«É com enorme preocupação que o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) comunica a todos os seus membros a recente recomendação da Comissão Europeia, que sublinha a necessidade urgente de assegurar recursos humanos adequados para o sistema judicial em Portugal, com particular enfoque nos funcionários judiciais.»
E depois da aparente surpresa da “enorme preocupação” com o relatório, continua assim:
«Esta recomendação é resultado de um esforço contínuo e dedicado do SFJ junto da EUR, da qual é membro ativo e comprometido. A nossa participação nas discussões e a apresentação de dados concretos sobre as dificuldades enfrentadas pelo sistema judicial português têm sido cruciais para produzir efeitos positivos e chamar a atenção para esta questão crítica.»
Portanto, o relatório da Comissão Europeia, ficamos a saber, tem mão do SFJ.
Em termos de “próximos passos”, o SFJ apresenta um desejo e esperança, para voltar a lavrar no mesmo erro. Diz assim:
«Esperamos que o Governo considere seriamente esta recomendação e, com caráter de urgência, inicie um procedimento para a contratação de novos Oficiais de Justiça.»
Ora, o que o SFJ deveria considerar, e “com caráter de urgência”, como bem diz, é a valorização da carreira para a tornar atrativa e só depois desejar um procedimento para a entrada de novos Oficiais de Justiça. Uma coisa primeiro e depois a outra e não a outra antes da primeira, porque isso é o que já temos com os maravilhosos resultados obtidos.
A nota sindical do SFJ termina dizendo que “o SFJ continuará a trabalhar incansavelmente para garantir que estas recomendações sejam implementadas”, e diz muito bem, mas esse “trabalho incansável” não passa pela repetição do erro do facilitismo de despachar mais uma abertura de um novo concurso, esse erro é o mesmo do Governo e até já o anunciou. O “trabalho incansável” do SFJ não é o de ir atrás daquilo que o Governo/MJ diz, deveria ser, antes, o de tornar possível que mais de que cinco candidatos se interessassem pela carreira e, para isso, não é aceitando, nem desejando, um mero despacho de abertura de um novo concurso, seja para cem, seja para mil, porque não é assim que se vai conseguir conquistar pessoas para esta profissão.

Fontes: “Eco/Advocatus/Lusa”, “SFJ-Info” e "Relatório CE Representação PT".
.................................................. INICIATIVAS COMPLEMENTARES:
A sua doença é "preguicite" e "entalar" os colegas...
Não é necessário estar doente? É só preciso pagar ...
O IRN já o havia conseguido em 2019.O Governo acor...
E porque motivo desejas isso ao colega das 09:53 s...
09h - 12:30h13:30h - 17he devagarinho, sem dúvida
Para os que pretendem o contacto do médico,basta s...
Colega se me der o contacto do médico que lhe pass...
Colega disponibilize o contacto do médico que lhe ...
Colega se me der o contacto do médico que lhe pass...
trabalhem com calma, eles só se interessam por núm...
Aos dirigentes dos sindicatos dos OJ, havia de lhe...
E quando a Dgaj te puder em lic sem vencimento, ac...
É isso mesmo . Deixem trabalhar a Sra.Ministra, o ...
Greve às diligências!Apenas e só!Acreditem, que é ...
oS VOSSOS FILHOS PERGUNTARÃO POR VOCÊS
Assim faço desde o ROUBO
SOJpelo menos não desativou as greves, apenas as s...
trabalhar com calma..em caso de aperto, baixa...e ...
Exatamente! Isto só lá vai com pressão, com denúnc...
Os OJ foram os primeiros, foram a prioridade desta...
Deixem trabalhar a ministra e o luís...
Apelando às coisas da vida, dizer que para tudo há...
F A L T A M quinze (15) dias para sobrevir abril, ...
Eu não deixo cair nada do que são os meus direitos...
Daqui a mais uns mesitos falamos novamente!