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Oficial de Justiça

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Quinta-feira, 07.06.18

Greve com intervalo; não são 3 dias, é 1 + 2 dias

      Nestes últimos dias não temos abordado outra coisa senão a greve, decretada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) e demais assuntos que com ela se relacionam.

      Temos vindo a referir, essencialmente, que os dias decretados se mostram insuficientes e que, por isso, deveriam ser mais dois ou três pelo menos; que o SFJ, embora tardiamente, acaba a copiar a greve do SOJ, na quantidade de dias e na divisão por dois meses, para não ser tão impactante nos vencimentos, na assunção de que a palavra dada não é palavra honrada pelo Governo; na má opção de começar a greve numa sexta-feira (as habituais sextas-feiras….) que, ainda por cima, coincide com muitos feriados municipais e festividades relacionadas com santos populares e alguns outros aspetos. No entanto, falta ainda apreciar mais um aspeto que também não parece resultar de forma positiva na opção desta marcação.

      Os três dias de greve não são verdadeiramente três dias de greve. Embora o SFJ tenha copiado de forma genérica aquela greve de janeiro do SOJ, ainda assim, copiou mal. Os tr~es dias de greve não constituem uma jornada de luta sólida; um bloco consistente que corresponda a uma jornada reivindicativa constante.

      Os três dias de greve são, na realidade, um dia e depois mais dois dias. Depois de haver um dia de greve, faz-se um intervalo de dois dias; uma pausa na luta, sem greve, para assegurar o serviço de turno do sábado e um dia de descanso, sem serviço e sem greve que corresponde ao domingo.

      Recompostas as forças no intervalo, a segunda parte da greve terá início na segunda-feira, para acabar na terça-feira.

      Ora, este tipo de greve interrompida, ou intervalada com dias de descanso não é vulgar nem neste país nem noutros. As jornadas de luta são ininterruptas e só costuma ser admissível a suspensão nos fins de semana quando as greves são superiores ao período de uma semana. Neste caso da greve decretada pelo SFJ o período não é superior a uma semana, pelo que a interrupção foge à lógica das greves anunciadas pelos sindicatos.

      Em janeiro, o SOJ anunciava três dias em bloco: quarta, quinta e sexta. Sem começar na habitual sexta de fim de semana e sem interrupções; uma greve inteira, de uma peça só.

      Esta greve decretada pelo SFJ mostra-se fatiada, dividida em três momentos: o arranque na habitual e já muito gasta sexta-feira, os dois dias de interrupção e o novo período de segunda e terça-feira.

      Trata-se de uma opção anómala por fugir àquilo que se pode denominar como as “boas práticas” sindicais na marcação de greves. É claro que não há nenhuma regra pré-definida mas há conceitos básicos de opção na criação de impacto e, nesse sentido, esta greve com um total de três dias somados (1+2) apresenta mais esta fragilidade.

      Acudam!

      O somatório das fragilidades que se têm vindo a apontar, tornam-se pouco animadores na altura de realizar algum prognóstico sobre os efeitos da greve; isto é, surgem muitas dúvidas sobre a sua eficácia.

      Socorro!

      É necessário e é urgente ilidir rapidamente estas fragilidades conducentes à desmotivação com outras iniciativas compensatórias. Desde logo e como principal medida a ampliação do período dos dias parece mostrar-se como algo fulcral para a obtenção de êxito mas outras formas de manifestação podem ser tomadas de forma a não arriscar que, a manter-se esta situação, a greve não surta qualquer efeito.

1+2=3Falas.jpg

por: GF
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às 08:07


8 comentários

De Anónimo a 07.06.2018 às 13:16

Começa a ser esquizofrénico o modo como esta página reage â actividade sindical do SFJ. É legítimo mas não deixa de incomodar quando, o que deveria haver da parte do nosso "mundo" de oficiais de justiça era uma defesa intransigente da nossa classe e não um divisionismo em que ninguém é inocente.

De Anónimo a 07.06.2018 às 13:18

saiu como anónimo mas eu não pretendo que o comentário que acabei de fazer seja anunciado dessa forma. assim, sou oficial de Justiça e chamo-me João Coutinho.

De Anónimo a 07.06.2018 às 14:23

Caríssimo, apoiado! Nunca a nossa classe esteve tão dividida e este blog não é isento de culpas nessa matéria. De frisar que também sou oficial de justiça e não sou sindicalizado em nenhuma estrutura sindical (não vá o autor do blog interpretar, precipitadamente, como, aliás é seu apanágio, que este comentário seria escrito por alguém ligado ao SFJ). Algum trabalho aqui publicado não deixa de ter algum interesse e ser de alguma forma útil aos oficiais de justiça mas as ideias e a visão subjacentes não podiam ser mais sectárias e fracturantes numa altura em que toda a classe deveria estar unida e empenhada em lutar por aquilo que é verdadeiramente importante que é a dignificação e valorização da carreira de oficial de justiça.

De oficialdejustica a 07.06.2018 às 17:25

A atividade sindical é perfeita? Nada há a dizer? Nada se pode melhorar? Ou, pelo contrário – e como tudo na vida – existe sempre a possibilidade de fazer melhor? Caso se considere que se atingiu a perfeição absoluta, então nada mais há a apreciar, a analisar e a explicar; já se se considerar que há espaço para crescer e para melhorar, então todas as críticas são contributos para esse crescimento, para a melhoria da atividade e porque não são críticas vazias nem doentias mas análises fundamentadas e explicadas que apelam à capacidade de raciocínio e à construção de um caminho que nos leve a melhores destinos do que aqueles que a temos chegado. Quem entender este trabalho de construção de algo melhor como um alegado "divisionismo", entende mal, porque se trata de uma contribuição para ter efeitos no presente ou no futuro e não de uma qualquer divisão. Quando se acrescenta não se divide; soma-se, não se subtrai, aumenta-se, não se diminui. Se, por acaso, a atividade do SFJ vem sendo mais analisada, é porque se tem verificado essa necessidade pela existência dessa própria atividade e pela vontade - que deve ser comum a todos os Oficiais de Justiça - de que tal atividade seja melhorada ao máximo de forma a obter também o máximo de rendimento na sua eficácia, porque é mesmo isso que se pretende: o máximo possível; o melhor ainda e não apenas algo remediado e meramente suficiente ou adequado. É possível fazer mais e melhor e aprender com os erros ou com os lapsos? É! E para aprender com os erros ou com os lapsos ou com a mera falta de atenção a determinados aspetos ou pormenores como é que se faz? Não analisando? Não pensando? Vendo e calando, nada dizendo, como se tudo fosse perfeito?

De Anónimo a 08.06.2018 às 09:19

Este blogue é uma pedrada no charco. Quem o faz, (desconheço quem seja) demonstra desde logo uma coisa rara no seio de grande parte do OJ:
PENSA,
Tem sentido critico,
Sabe escrever,
Conhece os assuntos,
Informa os demais...
Obviamente que, quanto ao seu conteúdo cada um retira as ilações que bem entende, no entanto e de modo geral, acho que pretende um objetivo maior, a melhoria e a dignificação da carreira. Talvez por isso incomoda muita gente!
Parabéns e continue!!

De Anónimo a 08.06.2018 às 09:56

Este blog incomoda muitos.

Carreiristas contentes com o stablishment. Os tais do sempre assim se fez...
Mudar atitudes e comportamentos é uma chatice, pá!!

Também são os tais que querem tudo eletrónico conforme manda a lei, mas...não vá acontecer alguma coisa errada...
É melhor imprimir !!!

Bafientos. Esta casa está cheia deles.

De Anónimo a 08.06.2018 às 12:30

Bom dia colegas oficiais de justiça, gostaria de deixar aqui a minha opinião que abaixo descrevo:
O SFJ e o SOJ, têm (ab)usado como do luta sindical a greve, conforme tem sido fácil nos apercebermos, não tem tido qualquer resultado, quer junto da administração e, menos ainda, junto da população em geral, já que o escudo que usa a administração – serviços mínimos – tem-se mostrado muito eficaz. Também perfilho plenamente as revindicações que têm sido apresentadas pelas nossas organizações sindicais, no entanto, não será, na minha opinião, esta a forma de luta mais ajustada atenta ineficácia já provada, pelo menos nesta fase. Devemos todos, e em particular os responsáveis sindicais, reflectir na busca de outras formas de luta mais convincentes e, junto dos oficiais de justiça fazerem um trabalho de esclarecimento e impulsionador da classe a persecução da mesma. Existem com certeza outras formas de luta a equacionar, mas, e primeiramente, é necessário efectuar um relevante e vital trabalho junto da opinião pública, nomeadamente, explicando as função (reais) dos oficiais de justiça, elucidando-a da importância que detêm no funcionamento da justiça. Pelo que me é dado aperceber, tal informação (funções do oficial de justiça) tem sido desprezada cada vez que a comunicação social aborda o assunto da justiça ou falta dela. Acho essencial este esclarecimento junto da sociedade, só assim qualquer forma de luta terá hipótese de chegar à população geral e com algum impacto junto da mesma e, desta forma, sensibilizar as administrações.
Pese embora o acima descrito, e porque estou solidário com as reivindicações bem como com a classe, se for avante a GREVE, irei aderir.
Francisco Romeiro

De Anónimo a 08.06.2018 às 13:12

Tambem vou aderir a greve, no minimo dos minimos por solidariedade, mas isso nao impede que diga que ha coisas que me desiludem no SFJ e que considere que nao tem andado bem e nao e so deste ano e de ha muitos anos. Este blog tem feito muito pela carreira, porque fez acordar muitos para problemas que nem sabiam que os havia e tem servido para que se empurre os sindicatos pra frente. Exemplo flagrante: o SFJ nao achava possivel nem lutava pela contagem dos anos de congelamento e, depois de criticado e contestado, agora já quer ver os anos contados. Demorou mas lá acabou por perceber quem tinha por obrigação defender. Vou fazer greve, ainda pago as quotas mas também ainda sei pensar por mim.

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