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Bem-vindo/a ao DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL publicação periódica independente com 13 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça
«O Orçamento de 2026 não oferece direção. Paga-se a folha salarial, conserta-se o que ameaça ruir e adia-se a discussão sobre o que devia mudar. Falta uma Justiça que previna o conflito antes de o punir, que proteja o espaço público e que promova coesão social. Assim, o resultado é a Justiça que temos tido até agora: cara, pesada e sem rumo. Uma Justiça de manutenção, que sobrevive entre promessas e adiamentos, quando o que o país precisava era de um verdadeiro projeto de transformação.
Apesar de um aumento orçamental significativo, a Justiça portuguesa continua em modo de manutenção. O Orçamento do Estado para 2026 ultrapassa os dois mil milhões de euros – um crescimento de 13,5% face ao ano anterior – e, ainda assim, não há sinais de transformação estrutural. O discurso oficial fala de modernização e proximidade, mas os números e a execução mostram outra realidade: reforçam-se meios, não se reformam políticas.
Mais de metade do orçamento da Justiça vai para despesas com pessoal, refletindo um aumento de 5,1% consequência das negociações recentes com Oficiais de Justiça, guardas prisionais e outros profissionais do setor. É justo reconhecer que, após anos de desvalorização, a atualização salarial era necessária. Mas os sindicatos já classificaram o reforço como "uma mão cheia de nada": faltam medidas para rejuvenescimento de equipas, progressões efetivas e condições de trabalho condignas. A valorização existe no papel, mas não na prática.
O investimento de 200 milhões de euros no edificado da Justiça – aprovado ainda pelo anterior governo – deveria representar uma viragem. Mas, tal como o plano plurianual que o sustenta, permanece preso à lentidão e à falta de execução. A ministra da Justiça, Rita Júdice, tem sublinhado a importância de consolidar o planeamento e prosseguir as obras já previstas, mas sem comprometer o equilíbrio orçamental. O resultado, porém, é um ritmo moroso, marcado mais pela gestão da herança do que por uma estratégia nova.
O caso do Estabelecimento Prisional de Lisboa é o exemplo perfeito da inércia orçamental: o encerramento está atrasado, e até lá o Estado continuará a pagar 280 mil euros por mês em rendas, o que significa mais de 3,3 milhões de euros por ano de despesa sem retorno. O Governo atual argumenta que o plano herdado do PS "não era realista" – mas o problema, agora, é que a alternativa também não é clara.
Se um único estabelecimento absorve dezenas de milhões, como se explica que a verba global para todas as infraestruturas da Justiça chegue apenas para tapar buracos? As condições degradadas de muitos tribunais e prisões não se resolvem com pequenas obras ou retoques de fachada. Sem execução eficaz, transparência nas prioridades e um calendário público de implementação, o investimento corre o risco de se diluir em promessas. É que das duas uma: ou o Governo não pretende executar o plano de forma consistente, ou este orçamento serve apenas para remendar problemas pontuais.
O plano plurianual de investimentos – herança do governo de António Costa – previa obras, requalificações e novas construções até 2027. Mas continua a faltar o essencial: execução e visão. Projetos como a nova cadeia de Ponta Delgada (com um custo estimado de 50 milhões de euros) e a requalificação de Viseu (20 milhões) consomem sozinhos grande parte do montante global, o que deixa pouco espaço para as dezenas de intervenções que continuam por fazer em tribunais, esquadras e edifícios judiciais degradados. O resultado é um orçamento que parece robusto, mas que, na prática, dificilmente cobre o que o próprio Estado reconhece como prioritário.
E é aqui que o discurso do Governo se revela sobretudo retórico: fala-se de "modernização", "proximidade" e "reformas estruturais", mas o que existe é apenas gestão corrente. As promessas de uma justiça mais célere e acessível não passam de slogans sem tradução em políticas concretas. A retórica substitui a reforma; o marketing substitui a execução.
O que mais falta, contudo, não é dinheiro – é política pública. Falta uma visão integrada sobre o que deve ser a Justiça num país democrático: não apenas julgamentos mais rápidos, mas também prevenção, reinserção, apoio às vítimas, mediação comunitária, justiça restaurativa. Falta perceber que um sistema judicial eficiente é aquele que evita o conflito antes de o punir, e que o investimento na prevenção é, também, investimento em confiança e coesão social.
A retórica da "modernização" continua centrada na digitalização administrativa – uma modernização sem alma, que trata a Justiça como um conjunto de processos e edifícios, e não como um pilar da democracia. Sem uma estratégia que una eficiência, acessibilidade e justiça social, o sistema continuará a reproduzir as suas desigualdades: mais rápido para quem tem recursos, mais distante para quem mais precisa.»

Fonte: reprodução do artigo da autoria da jurista Bárbara Ranito publicado no "Esquerda,Net".
.................................................. INICIATIVAS COMPLEMENTARES:
Parece-me que se discutem minudências... completam...
Sim, o mais provável é que venha a ser adiada, dad...
partilhe o que sabe, Colega.
Um dos... retirou-se com a atribuição de um (1) mi...
Mais uma reunião que vai ser adiada (menos a troca...
Nada disso, a reunião vai ser adiada. Contudo deix...
O problema é que o gozo traduz-se num prejuízo de ...
estamos cheios de medo do estatuto, dai termos par...
é para desejar um Feliz 2026.
Desde Junho que são reuniões e mais reuniões... Re...
Vai voltar a haver uma reunião?! Só pode ser para ...
Caros colegas, venho aqui só para avisar que agora...
Não há da FESINAP mas há de outra entidade sindica...
€€ 7 anos 2 meses 26 dias
De Anónimo a 04.12.2025 às 13:06Porventura alguns ...
Onde se pode ver o pré-aviso do Fesinap, é que o s...
conivente:adj.m. e adj.f.1. Diz-se daquele que é c...
Quem puder que fuja.Malta nova, pirem-se enquanto ...
Nem aos 200€ conseguiram chegarehehehcoveiros
Ora aqui estão os senhores administradores e pides...
Deixe lá, quando estivermos todos na cova a coisa ...
Pode ser que não vos calhe ficarem transtornados c...
para 04.12.2025 às 10:41És maior! dignidade para ...
Se eu fosse administrador ou mandasse alguma coisa...
LADRÕES!!!!!!!!LADRÕES!!!!!!!!OJ´s na miseria!!!!!...